Povos originários e indígenas

Vivência na Aldeia Maracanã – Oficina de PANCs e Feira Grátis da Gratidão

Por Rodrigo Duarte Baptista.

No último Domingo, dia 29/01, aconteceu na Aldeia Maracanã mais um evento de Vivência Indígena que contou com a participação de Sandro Azevedo ministrando uma oficina de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), na Feira Grátis da Gratidão houve contação de histórias infantis, troca de livros e doação de alimentos.

Diversas atividades foram realizadas no solo sagrado da Aldeia Maracanã. Foto: Carlos Augusto Lima França

Avanço do agronebusiness, ecologia, agricultura orgânica, sementes da Monsanto e as sementes crioulas, hortas comunitárias e verticais, adubação orgânica. A oficina contou com a presença de biólogos, agricultores, universitários, membros da comunidade indígena e outros especialistas em PANC’s para expor e debater esses temas. Ao público foi oferecido a degustação de Siriguela ( Spondias purpúrea), uma fruta rica em carboidratos, cálcio, fósforo e ferro, além de vitaminas A, B e C, apesar de pouco comum em alguns estados brasileiros, a planta é original das Américas do Sul e Central.

Pessoas de diversos lugares apoiam a luta das etnias indígenas que fazem parte da Aldeia Maracanã. Foto: Carlos Augusto Lima França.

Pajé Corubo, natural do Acre, que veio para o Rio resistir na luta dos povos originários e ensinar a terapia do Fogo Sagrado na Universidade Indígena, fala sobre essa terapia ancestral: ‘’Nossa ancestralidade sempre nos ensina que nós temos que fazer uma terapia psicológica. Como nós podemos ser felizes? Na Aldeia Maracanã, nós fazemos uma Fogueira Sagrada, fazemos as danças… É através dessa terapia da fogueira que somos felizes. Uns se despejam dos problemas. Uns resolvem os problemas. Outros chegam a ser mais felizes, mais amorosos. Tem uma paz! Tem uma felicidade! Tem uma compaixão! E os outros dizem: ‘’por que esses índios são tão felizes se lá estão faltando coisas?’’ Nós somos felizes porque temos a terapia do Fogo Sagrado. E eu quero que a sociedade participe dessa terapia para poder ser mais feliz a cada momento.’’

O Pajé Ash Asahninka trazendo sua sabedoria para os presentes. Foto: Carlos Augusto Lima França.

Ash Ashaninca fala sobre a importância da retomada histórica da Aldeia Maracanã: ‘’Nós entendemos que Cabral e a Odebrecht que estão na cadeia! Fizeram uma negociata corrupta aqui no Rio de Janeiro, onde destruíram a Aldeia Maracanã. É por isso que nós estamos aqui fazendo a nossa vivência, fazendo nosso grafismo, falando nossa língua, fazendo nossas ocas, fazendo nossos rituais, fazendo nossa medicina, fazendo nossa plantação. O Estado pouco se importa com a população, o Estado pouco se importa com a cultura. Por isso nós estamos aqui defendendo esse espaço, essa resistência e convocamos todos os estudantes e indígenas que estiverem no Rio de Janeiro, venham aqui! Porque aqui também é um santuário indígena, é um santuário da memória dos nossos antepassados é a nossa Universidade Intercultural! E também é um ‘’TekoHaw’’, é um lugar para todos.’’

Necessário pontuar que a Aldeia Maracanã é um território de 14.300m² localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao lado do Estádio, devidamente reconhecido pelo Governo Federal e a Constituição Federal de 1988, como consta no Art.232: “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”.

Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo.

Apesar disso, o Estado, herdeiro do Colonizador, nunca foi pacífico para lidar com as urgências dos povos originários.

Todos os Domingos são desempenhadas atividades de vivência na Aldeia e o convite é aberto a todos. Os membros da comunidade indígena estão recebendo doações de alimentos não perecíveis, materiais de higiene pessoal, sementes, mudas e ferramentas de jardinagem. Venha você também contribuir na construção desse movimento histórico.

Assista o vídeo com depoimento do Urutau Guajajara explicando as atividades culturais que vem sendo realizadas na Aldeia:

Reportagem: Rodrigo Duarte Baptista

Fotografia: Carlos Augusto Lima França e Rodrigo Duarte Baptista.

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