Meio ambiente

Urgente: Aldeia Guarani e Kaiowá resiste contra decisão jurídica arbitrária

“Pode cavar o buraco para enterrar todos, não vamos sair’’, afirma cacica Damiana, Despejo está marcado para esta semana”

Dourados, MS

Após o governo do estado ter se recusado a usar a Polícia Militar para realizar o despejo das nove famílias Kaiowa e Guarani do tekoha Apyka’i, o juiz federal substituto Fábio Kaiut Nunes requisitou ao presidente interino Michel Temer o envio de tropas da Força Nacional para retirar os indígenas do local. Mesmo sem força policial para efetuar a ação, o Judiciário notificou a liderança da comunidade, a cacica Damiana Cavanha. A indígena afirmou que a comunidade não deixará a área, arrendada pela Usina São Fernando, propriedade do pecuarista José Carlos Bumlai.

Na última quarta, Damiana foi levada até a sede da Funai para receber a notificação judicial. A liderança, no entanto, recusou-se a assinar o documento. “Não vou assinar nada. Pode cavar o buraco para enterrar todos, porque não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou, respondendo ao pedido da oficial. Mesmo sem a assinatura, o despejo está previsto para acontecer entre os dias 13 e 15 de junho.

Há mais de uma década sendo expulsa para a beira da estrada, vivendo sob o constante ataque de pistoleiros, Apyka’i é hoje uma das comunidades que melhor ilustram a tragédia do genocídio Kaiowa. Foram nove indígenas mortos, um envenenado pelos agrotóxicos usados pela usina e oito vítimas de atropelamentos. Dentre os atropelados, cinco eram familiares de Damiana: o seu então marido, Ilário de Souza, dois filhos e dois netos.

O atual esposo da cacica, Jorge Batista, lembra a morte do pequeno Gabriel, a mais recente na família. Em março de 2013, enquanto andava pelo acostamento segurando a mão da avó Damiana, Gabriel foi atropelado e teve o corpo arremessado a uma distância de 39 metros. O motorista fugiu. “Tivemos que juntar os pedaços, foi só o que sobrou do corpo. Só alguns pedaços. Foi enterrado perto dos parentes dele”, relata Batista. Gabriel tinha apenas quatro anos de idade.

Momento da retomada da Aldeia Apyka'I. Foto: Aty Guasu

Momento da retomada da Aldeia Apyka’I. Foto: Aty Guasu

A USINA

Construída durante o governo Lula, com dinheiro do Banco do Brasil e do BNDES, a Usina São Francisco acumula hoje uma dívida de 1,3 bilhão de reais, sendo os bancos públicos os maiores credores (530 milhões). Também deve para fornecedores, fiscos estadual, federal e municipal, Previdência Social e não tem pago os salários dos seus funcionários.

Em julho de 2014, 49% da empresa foi comprada por um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos.

Em novembro do ano passado, José Carlos Bumlai foi preso no decurso da Operação Lava Jato, acusado de fazer parte de um esquema de corrupção e fraude no pagamento de dívidas de campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores. Atualmente cumpre prisão domiciliar.

Foto: Ellan Lustosa

Foto: Ellan Lustosa



Via Aty Guasu

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