Brasil

Um relato ficcional do olhar uma criança no colo de uma Mãe, ao passar por mais uma chacina na Favela da Rocinha.

Minha Mãe me acorda cedo para escola, eu com aquela preguiça, me coloca no banho, água gelada pra burro, em seguida bebo um café com leite com pão e manteiga, mas continuo com fome… . Estou pronto, pego o meu material, saio de casa, começo a descer as vielas das ruas da minha Favela onde nasci, Favela da Rocinha. De repente ela para de caminhar…, olha para rua debaixo, e enxerga uma confusão, tira a minha blusa do colégio e coloca uma venda em mim… Pegunto: “O que é isso Mãe?” Ela responde muita nervosa: “Vc precisa usar isso meu filho nesse momento, e não pergunta nada”…. Respondo:”Tá bom Mãe!”.

Em seguida me pega no colo com muita dificuldade, sinto um cheiro estranho, mas com a venda nos meus olhos vejo o quê se passa, mesmo a minha Mãe tentando me proteger… , corpos de pessoas envelopadas no tecido branco cheios de sangue…, corpos de pessoas mortas…

Fico atônito, perplexo e triste com essa carnificina praticamente diária na minha Favela.

Mais um corpo de um Favelado Negro e Pobre…. Me pergunto: “Até quando isso vai durar nessa cidade onde eu nasci, ou melhor na Favela”. Eu só queria chegar na minha escola como qualquer criança dessa cidade, cantando, brincando, falando com todos que passam por mim, gosto do sorriso das pessoas quando estou indo para o colégio, vejo felicidades em todos, vejo esperança… Obrigado Mãe por tentar me proteger da violência diária na minha Favela onde nasci…. Quem são essas pessoas que fazem esses assassinatos? Eu só quero ser feliz e Estudar tranquilamente na Favela onde nasci…

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