Meio ambiente

Soberania Alimentar: A verdadeira pauta contra os Transgênicos

Quando o assunto “transgênicos” passou a fazer parte do debate, a principal preocupação disseminada pela mídia foi em relação a segurança de tais alimentos e se os mesmos a longo prazo poderiam gerar algum tipo de doença em quem os ingerisse. Tal preocupação não era e ainda não é de se menosprezar, mas ela esconde a verdadeira agenda por trás do negócio: A ameaça à Soberania Alimentar

Em 23 de junho de 2000 uma matéria publicada no Jornal El Pais dizia o seguinte: “Agricultores que plantam alimentos transgênicos correm o risco de ficar presos entre os interesses das multinacionais de biotecnologia que vendem as sementes e os das indústrias que compram os produtos das plantações.

A conclusão é de um estudo do Diretório Geral de Agricultura da UE (União Européia) sobre o impacto econômico das plantações transgênicas. (…)

(…) Para os autores do estudo, a situação dos agricultores, espremidos entre os dois oligopólios, é cada vez mais preocupante.
O texto parte da análise sobre as empresas que, cada vez mais, concentram o controle sobre o sistema de alimentação, “do gene ao supermercado”.
A conclusão é que o agricultor está perdendo o poder de decisão sobre as características e o modo de produção dos alimentos.
O documento declara que “o agricultor vira um cultivador, que fornece a força de trabalho e muitas vezes algum capital”, mas que “nunca toma uma decisão importante sobre a sua gestão”.

Ou seja, sob a prerrogativa de aumento de produtividade e melhores preços para o mercado, a agricultura de larga escala no Brasil e no mundo se tornou refém de 4 multinacionais que detêm a tecnologia dos grãos modificados geneticamente. E pra piorar ainda mais, as plantas transgênicas destroem as espécies nativas e segundo o site da AS-PTA:

” a experiência tem mostrado que é muito difícil manter os transgênicos sob controle depois que eles são liberados. No caso da soja, a contaminação da produção orgânica e convencional vem acontecendo desde a semente até a armazenagem. O uso de máquinas e colhedeiras pode misturar as sementes. No caso do milho o problema é ainda muito mais grave. Além das máquinas e caminhões, a contaminação pode acontecer pelo vento, que carrega o pólen a distâncias muito grandes. Ninguém sabe ao certo o que acontece no longo prazo com as sementes contaminadas. O certo é que o agricultor pode perder o direito de escolher o que plantar e o que colher. E se a contaminação se espalha, o consumidor perde o direito de escolher o que comprar.”

Isso significa na prática que quase toda a produção de grãos em larga escala no mundo se tornou refém destas empresas, dos bancos que financiam a compra de novas sementes para cada plantio e do petróleo, pois os alimentos são modificados geneticamente exatamente para serem resistentes aos agrotóxicos que são fabricados pelas mesmas 4 empresas.

É um modelo que coloca mais de 60% produção de alimentos do mundo (número que não para de crescer) sob a total dependência de tais empresas e de quem está por trás delas.

A Fundação Rockefeller está por trás da chamada Revolução Verde e a Monsanto tem tem figuras como Dick Cheney que foi vice presidente de Geoge W Bush e que também teve seu nome vinculado ao Carlyle Group, um dos grupos de investimento que mais lucrou com a guerra do Iraque.

Sendo assim não é possível não perceber a relação e o jogo de poder entre petróleo, indústria bélica e a produção de alimentos em larga escala. É estratégico e coloca o mundo sob os pés de quem os controla. Não é atoa que China e Rússia estão fora desse mercado.

Além disso tudo, em muitos países, agricultores precisam pagar royalties sobre a produção destes alimentos.

Em 2013 o Brasil renegociou esse último item com a Monsanto deixando de pagá-los após 10 anos o fazendo, mas o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acolheu o recurso da Monsanto e autorizou a multinacional a cobrar royalties sobre o replantio das sementes transgênicas. Foi Lula quem abriu o caminho para os transgênicos no país.

No dia 21 de maio ativistas e movimentos sociais realizam em diversas cidades do mundo a Marcha Mundial Contra a Monsanto, em que manifestam contra essa gigante da indústria de alimentos que contamina milhões de pessoas ao redor do mundo e compromete a existência de sementes criolas – livres de trangênicos.

Foto: Empresa Brasil de Comunicação

Foto: Empresa Brasil de Comunicação

Para ter uma ideia geral sobre o que a Monsanto já foi capaz de fazer no mundo, assista ao documentário ” O Mundo Segundo a Monsanto”

Para saber como o planeta passou a depender do petróleo para produzir alimentos em grande escala assista ao vídeo:
“A verdade sobre a Revolução Verde do agronegócio”

Veja o vídeo que produzimos com Zuny, que é uma cuidadora de sementes de Temuco, sul do Chile e que mantém uma horta livre de contaminantes para gerar sementes originárias e compartilhar com pequenos produtores indígenas da América Latina.

Texto: Neo Baudrillard
Atualização: Vito Ayala

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