Política

Rio de Janeiro se mobiliza contra liminar que sugere “reorientação” sexual

Por Tiko Arawak.

Na última semana, diante de decisão de um juiz em abrir um perigoso precedente que permitiria aceitar qualquer expressão que fuja aos padrões hegemônicos (“macho” e “fêmea” cisheterossexuais) como patologia passível de tratamento, inúmeros atores sociais compreenderam de pronto a gravidade da situação. Aqui no Rio, coletivos, partidos, ex-gestores, parlamentares, sindicalistas, anarquistas, independentes (não invisibilizem os independentes, não mais!), tomaram pra si a tarefa de ocupar as ruas em mobilização ampla, numa pluralidade de contribuições que já não víamos há algum tempo.

O resultado desse esforço coletivo se fez expressar no ato dessa última sexta-feira, 22/09. Partindo das escadarias da ALERJ, tomamos a Avenida Primeiro de Março, contornamos a Candelária e ocupamos a Avenida Rio Branco até alcançar a sede da Justiça Federal, na Cinelândia. Com a escolta de PMs e agentes de trânsito, atônitos.

A comunidade LGBTI se mobilizou em peso contra o projeto.

Pegamos a bandeira oficial da Parada do Orgulho com as nossas mãos e tomamos pra nós a tarefa de fazer nossas vozes e repúdio tomarem os ares.

Ainda é cedo pra definir se essa mobilização será permanente, mas algumas mudanças nas relações já dão o tom do que está por vir, quando pensamos na centralidade dos discursos e na pauta identitária: eram duas mulheres negras que se colocaram à frente do microfone e deram o tom de todo o ato. Uma cis e outra trans. E deram conta do recado, brilhantemente!

A centralidade do tema foi contemplada na pauta, que não esqueceu seu caráter amplo: o genocídio das populações negra e indígena foram lembradas. A confusão entre lei e dogma nas práticas nada laicas desse Estado. A criminalização do aborto e os estupros corretivos. A gentrificação classista e racista. A guerra às drogas. A empregabilidade trans. A ocupação militar das comunidades periféricas.

Desde de cedo o prédio da ALERJ foi ocupado pela linda bandeira LGBTI.

Parece que somente diante da iminente ameaça de um inimigo comum conseguimos superar as diferenças de contribuições e discursos. Conviver em respeito às diversidades foi a tônica dessa mobilização. Demos uma lição sobre a mudança que queremos em nossa sociedade e pautamos a unidade de luta.

Não podemos nos mexer apenas diante do abismo.
É possível. Tem que ser possível!

Ocupar, resistir, lutar pra garantir!

Liberdade para Rafael Braga Vieira
R.I.A [CENTRALIZADO]

“Que as chamas da insurreição iluminem o caminho para a liberdade”

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