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Rio de Janeiro: artistas se levantam contra a censura de Crivella e ocupam o Castelinho no Flamengo

Via Paula Kossatz.

Assista o vídeo de Tamur Aimara/2V Coletivo com os artistas censurados:

Nota pública da Ocupação do Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho(Castelinho do Flamengo)

“A arte é o exercício experimental da liberdade”
– Mario Pedrosa, 1968

“Nós, artistas, ativistas e militantes culturais que ocupamos democraticamente o Castelinho do Flamengo nesta sexta-feira (06/10/2017), expressamos, por meio desta, as motivações deste ato.

Foto: Felipe Felizardo.

Na última semana, de forma absolutamente arbitrária e sem explicações convincentes, a Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro informou por meio de nota oficial que o Castelinho está interditado por conta de uma pane elétrica. As peças Bicha Oca e Nascituros, bem como a exposição Curto-Circuito, integrantes da programação do “Outubro pela Diversidade”, previstas para estrearem neste espaço, ontem e hoje, foram impedidas. Após o cancelamento, novos lugares de exibição foram impostos, sem qualquer diálogo e ignorando que trabalhos culturais como estes são projetados a partir de um detalhado estudo do local.

Prova do açoitamento da interdição, é que a notícia do cancelamento ocorreu no momento em que a produção estava no espaço organizando sua montagem. Mesmo com uma placa de interdição afixada no portão, não houve qualquer impedimento para que a produção ingressasse no Castelinho. Ora, se havia riscos para a segurança humana, como permitir que pessoas adentrassem no local? Isso revela que procuram uma causa pra tentar dar ares de legalidade ao arbítrio censor.

Foto: Felipe Felizardo.

Salta os olhos a informação que, diante da notícia da interdição por questões elétricas, um dos integrantes da produção da exposição telefonou para a Light que veio até o local. No entanto, foi impedida pelos próprios seguranças do Castelinho de entrar e realizar vistoria.

Outro fato que merece ser destacado é que após a notícia da interdição, os produtores perceberam que algumas obras sumiram. Justamente as obras que destacam a temática LGBT, o debate sobre drogas e cenas de nudez humana. Isso não é uma coincidência.

É importante ressaltar ainda que estes eventos artísticos para acontecerem neste espaço partiram de convite da Secretaria Municipal da Cultura há mais de três meses, demandaram um complexo processo de produção com o uso de recursos públicos e dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura envolvidos. A interrupção abrupta fere a todas e todos.

Foto: Felipe Felizardo.

O destino dos trabalhos a serem expostos no Castelinho e projetadas para exibição neste espaço, no entanto, até agora não foi divulgado. E o local sugerido pela Prefeitura, por meio de uma rede social, para exibição da peça Bicha Oca foi a Casa Nem, ocupação que serve como abrigo para LGBTs e não é um aparelho do município. Vale destacar que isso não foi negociado com a Casa Nem. Revela ainda que a intenção da Prefeitura é que a pauta LGBT não ocupe os espaços públicos, como é o Castelinho, mas fique reduzida a guetos. Essa segregação é inadmissível.

Não por coincidência, esta súbita interdição de um espaço público da maior importância para a cultura carioca, ocorre na mesma semana em que o Prefeito Marcelo Crivella publicou um vídeo atacando a exposição QueerMuseu e expressando, de forma inequívoca, que coloca suas convicções religiosas acima do interesse público da população do Rio de Janeiro.

Este movimento, que hoje ocupou o Castelinho e que pretende manifestar-se em outros espaços da cidade, reafirma que não aceita a censura às artes que tem ocorrido de forma sistemática no país, afetando a cultura livre e divulgando uma série de mentiras e absurdos para criar preconceitos e disseminar o ódio.

Foto: Felipe Felizardo.

Neste sentido, após cinco horas de ocupação pacífica, democrática e organizada da área externa do Castelinho, saímos do local, mas expressamos a nossa pauta de lutas, que nos manterá mobilizados de forma crescente.

Exigimos que a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro apresente:

1. Os laudos da Light e da Defesa Civil que indicam eminentes riscos no local;

2. Divulgue imediatamente onde estão as obras da exposição Curto-Circuito;

3. Informe oficialmente quais foram os critérios para retirada de algumas obras;

4. Apresente o último laudo de vistoria do Castelinho, emitido pela Defesa Civil;

5. Torne público um plano de reforma e data de reabertura do espaço; e

6. Assegure a manutenção dos aparelhos de cultura da cidade, assim como a liberdade de expressão imprescindível à democracia.

Esperamos estas respostas, e falamos em alto e bom som, que esta mobilização continua e crescerá enquanto esta
Seguiremos com o nosso compromisso de lutar pela liberdade e pela diversidade.

Somos indestrutíveis! Censura nunca mais!

Rio de Janeiro, 6 de outubro de 2017.”

Foto: Felipe Felizardo.

Foto de capa: Felipe Felizardo.

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