Luta Contra o Racismo

Racismo Mata

No último dia 04/12, sexta-feira, foi realizado em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, mais um ato “Contra o Genocídio da Juventude Negra”. Cerca de 150 pessoas, entre elas, familiares e amigos dos cinco jovens executados pela polícia militar, em Costa Barros, estiveram presentes. O protesto seguiu para o Largo do Machado em marcha pelas ruas da Zona Sul, com frases de ordem contra o genocídio dos jovens negros nas favelas e periferias do Rio de Janeiro.

O ato em repúdio a mais essa chacina, quando cinco jovens negros e pobres foram executados pela polícia militar enquanto voltavam do Parque de Madureira, é para expor o racismo institucional ratificado em números absurdos que colocam o jovem negro como principal alvo da violência de Estado.

Segundo os moradores do bairro de Costa Barros, no Morro da Lagartixa, Complexo da Pedreira, que chegaram logo após a chacina, os policiais militares ainda tentaram forjar um auto de resistência, impedindo inclusive o socorro às vítimas – que ainda agonizavam – pelas pessoas que se encontravam no local. “[…] Eles alteraram a cena do crime, pegaram a chave do carro da mão do motorista morto, colocaram lá dentro uma pistola para dizer que aqueles jovens eram bandidos”, disse um morador.

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Punhos cerrados contra o terror!

A instituição [ polícia ] foi criada para ser corrupta e violenta – ferramenta de controle social e defesa da propriedade privada. Por quê? Porque a polícia foi criada para fazer segurança de Estado e segurança da Elite [ classes dominantes ]. A sociedade é injusta e a manutenção da sociedade injusta é a função da polícia. Não o contrário. Portanto, afirmo, novamente, não é despreparo ou mero desvio de conduta. A polícia é preparada para fazer o que faz: criar o terror e se impor pelo medo, pelas armas.

As novas vítimas de mais essa chacina policial são: Roberto de Souza, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva Souza, 16, Cleiton Corrêa de Souza, 18, Wesley Castro, 20, e Wilton Esteves Domingos Junior, 20.

Graças a coragem da população, que rapidamente denunciou a chacina, os policiais que executaram os meninos foram presos em flagrante – por fraude processual e homicídio doloso. As denuncias correram as redes sociais da internet com fotos e vídeos de celular. Em seguida, moradores e familiares testemunharam na 39º Delegacia da Pavuna apontando os assassinos Thiago Resende Miranda, Márcio Darcy Alves dos Santos, Antônio Carlos Gonçalves e também Fábio Pizza de Oliveira da Silva, este último preso apenas por ter alterado a cena do crime.

Ao chegar na praça do Largo do Machado, com o ato em seu término, os manifestantes organizaram-se em roda e após algumas palavras sobre a importância do protesto, a repressão policial e o terror de Estado contra o povo negro, surgiu a proposta de se criar um “Fórum Negro Contra o Genocídio“. A criação do Fórum foi aprovada por consenso.

A situação de caos social que nos encontramos numa sociedade racista em que negros e negras ainda hoje passam por todo o tipo de agressão e violação cotidianamente, a criação de um Fórum Negro fortalece esse momento que pode ser um divisor de águas na luta de combate ao racismo e às injustiças sociais – na busca por uma sociedade sem classes, sem racismo nem machismo e qualquer outra forma de opressão ou exploração de um ser humano pelo outro.

Veja algumas imagens do ato:

Fotografias: MIC-Mídia Independente Coletiva | Rafael Daguerre e Carlos Augusto Lima França

 Criação do Fórum Negro Contra o Genocídio | Vídeo: Leo Nabuco

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