Argentina

Quem é Santiago Maldonado?

O jovem de 28 anos, ativista e tatuador, era da província de Buenos Aires, mas vivia na cidade El Bolsón, que é próxima à comunidade de Cushamen, da qual se aproximou por solidariedade à luta dos mapuches, povo indígena da Argentina e do Chile, que há anos lutam para permanecerem em suas terras ancestrais, contra as criminalizações e a perseguição política.

Um dos principais líderes da região é o Facundo Jones Huala, que encontra sob acusação de terrorismo.

O jovem foi visto pela última vez há um mês, desaparecido há 78 dias, no dia 1 de agosto, após ter sido levado pela polícia durante um protesto pela libertação de Huala, realizado por Mapuches em um território indígena, onde ocupavam uma propriedade do grupo Benetton, na região de Cushamen, na província de Chubut, região da patagônia, na Argentina.

Benetton, empresa italiana mundialmente conhecida por sua atuação no ramo têxtil, é a proprietária das terras ocupadas pela comunidade de Cushamen.

O chefe de gabinete do Ministério da Segurança Pública, braço direito de Bullrich, Pablo Noceti, esteve ao menos duas vezes no local da repressão, no dia 1 de agosto.

Noceti é advogado que defende a Fabio Iriart e Néstor Omar Greppi, repressores da ditadura militar argentina que foram condenados por delitos de lesa humanidade.

O jornalista investigativo Ricardo Ragendorfer, do Jornal Tiempo Argentiono apurou que a Gendarmeria mantém uma base logística informal, e portanto, ilegal, dentro da Fazenda Leleque, que pertence ao Grupo Benetton. A reportagem ainda relata que Noceti mantém reuniões e contato frequente com as sociedades rurais das províncias de Chubut, Río Negro e Neuquén. Nelas, sempre presente está o administrador das propriedades de Benetton na Patagônia, Ronald McDonald. Em ao menos uma dessas reuniões, a ministra Patricia Bullrich também esteve presente.

Maldonado participava da ação, quando uma força policial chamada de Gendarmeria que responde diretamente ao executivo nacional, reprimiu violentamente o protesto, sem nenhum mandato judicial, em uma operação que contou com cerca de 14 veículos e 100 homens armados, fazendo disparos de balas de borracha, chumbo, e também gás lacrimogêneo. Após a ação, o jovem desapareceu.

Bullrich afirmou que a família de Santiago demorou para dar queixa do desaparecimento, ainda que as provas indiquem que a denúncia foi realizada no mesmo dia. Depois, culpou-os de não colaborar com as investigações, o que o irmão do jovem, Sergio Maldonado, classificou de “cinismo”.

Após uma semana do desaparecimento, o governo assumiu a responsabilidade sobre o caso e anúncio que pagaria 500 mil pesos, algo em torno de 29 mil dólares, por informações para encontrar o jovem.

A promotoria mudou a forma como o incidente estava registrado, como um desaparecimento comum para “desaparecimento forçado”. Juridicamente, o termo implica que necessariamente há envolvimento de forças do Estado. O governo federal, entretanto, continua negando o envolvimento da Gendarmeria.
“Já não sabem o que dizer”, afirmou Esquivel.

Mergulhadores especializados já estavam tentando encontrar o corpo do jovem, mas fracassaram. Na sexta-feira (13), o corpo foi encontrado nas margens do rio Chubut, apontado pelos policias que possivelmente seja o corpo de Santiago, mas não há nenhuma confirmação, porque ainda não foi realizada nenhuma perícia.

Abaixo segue a transcrição e tradução do áudio de Mabel, advogada da família Maldonado

“Acabamos de chegar um pouco na cabana. Temos que seguir viagem ainda. Queria dizer a vocês rapidamente que vivemos uma jornada muito terrível, muito dolorosa. Estivemos lá com Julio desde às oito da manhã até agora pouco, presenciamos tudo, por nossos olhos e pelos olhos de Veronica (…) que estava lá presente, de Sergio Maldonado também, Andrea, sua esposa, as pessoas da comunidade. É totalmente implantado, isso é um cenário absoluto. Agora o lhes quero dizer é que graças a que pode vir de avião, é, estou tentando lembrar o nome de Alejandro (…) Reyes que é o forense que conforma a equipe privada da família. Veio em um voo privado, chegou nas últimas horas da luz do dia, pode corroborar a cena e ele que dirigiu a retirada do corpo do rio. O corpo estava boiando, na altura da vigilância, da casa de vigilância da comunidade, na altura digo em linha reta. É um lugar que sempre é visitado, onde as pessoas sempre vão, e esse corpo estava lá boiando, em um lugar não de tanta corrente, mas sim em alguma ramas. Não emaranhado, estava bem à vista, quando alguém olhava em linha reta o podia ver. Foi encontrado por um mergulhador que tinha percorrido uns 500 metros, um pouco mais, não, não, não, talvez mais. Não, 3 km, 3 km. Eu estava do outro lado do rio buscando com os cachorros e bombeiros que tinham cachorros treinados, quando nos avisam que, bom, que tínhamos que cruzar de novo com o bote, porque já tinham encontrado o corpo. Então, desde a uma e meia da tarde até às nove da noite, ficamos vigiando a cena para que nada fosse alterado e, depois, quando chegou Alejandro, foi feita a retirada do corpo, já se vê antes de subir na maca, na ambulância, é feito um reconhecimento rápido, onde se constata que é um corpo humano, estava de boca para baixo, portanto estamos esperando que a família confirme. Eles foram rapidamente atrás da ambulância, Então, companheiros, me desculpem, acabamos de chegar, estamos com Fernando (…), acabamos de falar com o Facundo por telefone na penitenciária e agora (vamos levar/ir a outro lugar). Minha bateria está acabando, tenho que ir carregar. Um abraço a todos e agora claramente vamos ter que falar com todos.”

Santiago Maldonado não será esquecido e sua vida será lembrada e alimentará cada vez mais o nosso ódio contra o Estado e seus senhores do capital!
Santiago PRESENTE!

Liberdade para Rafael Braga Vieira
R.I.A
“Que as chamas da insurreição iluminem o caminho para a liberdade”

Comentários do Facebook

Comentários

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top