Política

Rio de Janeiro: milhares de pessoas vão às ruas contra a reforma da previdência

Nessa quarta feira (15/03/17), junto a mobilização nacional foi realizado no Rio de Janeiro o ato unificado contra a reforma da previdência, somando-se ao coro nacional de impedimento da proposta do governo.

A reforma da previdência, conforme apresentada, mostra em seu conteúdo seu caráter neoliberal e evidência a tendência do projeto(global) neoliberal de austeridade econômica e retrocesso de conquistas dos movimentos sociais, configurando um ambiente socioeconômico precário e propício a obediência sob o pretexto de reconstrução em/pós crise. Projeto esse que, cabe ressaltar, não data do meio de 2016 para cá, mas sim vem sendo aplicado não só no Brasil mas como em diversas outras localidades ininterruptamente desde a década de 90.

Frente a mais uma ofensiva do estado contra o bem estar e a liberdade da população, o Rio de Janeiro se organizou em um ato unificado no centro da cidade, levando em marcha cerca de 100mil pessoas. Forças partidárias tradicionais, sindicatos, coletivos e agremiações independentes e ligadas a tais forças institucionais se concentraram na Candelária no começo da tarde. Durante a concentração a constatação da presença dos ativistas independentes se fazia turva, visto o mar de bandeiras e o barulho dos carros de som das forças sindicais/partidárias que compunham o ato, a avenida presidente vargas, tradicional palco de lutas do Rio de Janeiro, sentia falta das bandeiras pretas. Com a trajetória definida, rumo a central, a presença desses ativistas independentes se fez visível (ainda que em número significativamente menor se comparado aos manifestantes ligados a forças partidárias) quando durante o movimento tomaram a dianteira de uma das três pistas que a população fechara em seu percurso.

Foto: Rodrigo Duarte.

Havia sido combinado pelos movimentos ligados a forças institucionais que o ato se encerraria na Central, chegando lá (após determinado tempo de fala nos carros) os carros de som e seus seguidores dariam meia volta. Contudo, é nesse momento que os que se faziam presentes testemunharam mais uma atitude vergonhosa e covarde por parte de militantes de es(ex)querda que agiam como verdadeiros capitães do mato. Enquanto tais militantes encerravam seu ato, já finalizando as falas que ocorriam nos carros de som presentes, os ativistas independentes seguiam com o ato rumo a central. No primeiro avanço dos ativistas independentes, militantes da CUT se encarregaram de fazer o papel da polícia e começaram a reprimir covardemente os ativistas que avançavam rumo a central, trocando socos, bandeiradas, agredindo jornalistas e até arremessando garrafas nessa direção. Tais integrantes da CUT não apenas realizaram propriamente o papel repressivo da polícia, como também prestaram através dessas atitudes, um apoio logístico para o serviço de repressão da verdadeira polícia do RJ, que se valeu do tempo de tumulto para engrossar o seu contingente na região e mobilizar suas tropas.

Por coincidência ou não, passado o tumulto entre os manifestantes, na medida que aqueles que seguiam carros de som se dispersavam, a guarda municipal e o choque já se mostravam mobilizados próximos ao ato em um contingente significativamente maior que o visto até então, enquanto isso os independentes se aglutinavam para fazer frente a eminente manobra repressiva que se articulava a poucos metros. As cenas que se dão a seguir configuram um bravo ato de resistência por parte dos ativistas independentes que permaneceram, impedindo o avanço dos agentes repressivos por hora, erguendo diversas barricadas ao longo de grande parte da presidente vargas. O confronto extrapola as margens da avenida e ganham outra, a rio branco. Conforme os manifestantes se dispersam pelo centro da cidade, a força de policial (como de costume) passa a reprimir pessoas a esmo pela região, atirando bombas de gás para dentro do IFCS e em ruas movimentadas repletas de bares, restaurantes, hotéis, e realizando perseguições de moto(também a esmo) a pessoas que andavam pelo centro aquela hora. Ainda no ‘saldo repressivo’ do dia, a indígena Monica Lima, professora da Rede Estadual, trabalhadora da UERJ. foi covardemente agredida enquanto registrava em fotos o cordão da guarda municipal que se formava na presidente vargas, levando um golpe de cassetete na cabeça e diversos chutes enquanto estava no chão, que fraturaram sua tíbia e fíbula. Esse dia 15 de março de 2017 fica marcado como mais um dia de luta e resistência para uns, enquanto que para outros a marca que fica é a da vergonha e covardia.

Assista entrevista realizada durante a manifestação com professor da rede pública:

Entrevista com Marta Machado, mãe, militante e contribuinte da previdência:

Seguranças da CUT conhecidos como “bate-paus” agrediram estudantes e jornalistas. Foto: Rodrigo Duarte

Foto: Rodrigo Duarte.

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