Comportamento

Os intelectuais e a soberania nacional

Por André Borges.
A História contemporânea destaca a grande participação da intelectualidade na luta dos povos. Sabe-se que nunca ocorreram transformações sociais sem a contribuição desse importante segmento social enquanto formador de opinião. Na vanguarda das transformações porque tem passado as sociedades, encontra-se a intelectualidade: André Mauraux, Emile Zola, Victor Hugo, Garcia Lorca e Pablo Neruda, entre outros, deixaram suas marcas exemplares como intelectuais militantes nas transformações sociais das épocas que viveram. Estiveram sempre engajados às grandes lutas do povo no processo de sua libertação Alguns deles, como Garcia Lorca e Giordano Bruno, por defenderem suas convicções foram sacrificados com a perda da própria vida.

Nos primórdios da luta do povo brasileiro pela sua independência política e econômica, encontramos engajados os poetas Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga participando da Inconfidência Mineira. Na luta abolicionista –Epopeia Negra da nossa história- destacavam-se as figuras do imortal poeta Castro Alves e José do Patrocínio. A bandeira em defesa do petróleo e outras riquezas minerais do Brasil, foi empunhada pelo incansável Monteiro Lobato.

Na atual conjuntura da globalização, cuja meta principal é colonizar e escravizar os países em desenvolvimento, através da farsa neoliberal, temos também -e desgraçadamente- a participação mínima da intelectualidade. Paradoxalmente, temos o intelectual Fernando Henrique Cardoso –e seus asseclas- na Presidência da República desempenhando o triste papel de Silvério dos Reis, traindo a confiança nele depositada pelo povo brasileiro mediante o juramento de defender o território, as riquezas e a soberania nacional, ao ser empossado na Presidência da República.

Demonstra esse fato – como exceção da regra-que nem sempre os intelectuais estão à frente dos acontecimentos lutando em defesa do povo e da soberania da pátria. Daí, necessária se torna a indagação quanto ao papel que cabe à intelectualidade brasileira diante da atual conjuntura e da dilapidação do patrimônio nacional que ameaça a soberania do país. Diante dessa realidade –salvo raras exceções- a intelectualidade brasileira não se tem manifestado em defesa da nossa soberania, como espera a Nação ameaçada. Em momento tão importante ao futuro do povo brasileiro cabe aos intelectuais, especialmente àqueles que têm assento no Congresso Nacional, levantarem suas vozes em protesto uníssono pela defesa da Nação ameaçada. Cabe quebrar essa apática indiferença com o destino do Brasil e transformá-la em ação concreta, que não renegue o passado de lutas dos nossos intelectuais, na construção da grande Nação que nos legou a bravura daqueles que sacrificaram suas vidas pela soberania e independência econômica do Brasil.

André Borges e escritor, no anos de 1970, em plena ditadura esteve preso na Ilha Grande e conseguiu uma fuga espetacular junto com outros presos políticos e comuns. Atualmente tem forte atuação no movimento social carioca.

Foto de capa: Daniel Rocha.

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