Luta Pela Terra

Milícia de fazendeiros executou dois integrantes da LCP em Rondônia

Por volta de 8 horas da manhã da última terça-feira (13), um grupo de pistoleiros pagos por grileiros da região do Vale do Jamari, no interior de Rondônia, assassinou a tiros de queima roupa o casal de lavradores Edilene Porto e Izaque Dias.

Este bárbaro crime – que aconteceu na área rural do município de Alto Paraíso – é mais um entre os vários cometidos neste ano por fazendeiros e grileiros do Vale do Jamari contra o avanço do movimento camponês e da luta antifeudal. Edilene e Izaque eram ativos militantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e camponeses assentados do Assentamento 10 de Maio.

Quando a área do assentamento era ainda uma fazenda latifundiária, a Fazenda Formosa, ocupada por posseiros, o casal Edilene e Izaque foi uma das primeiras famílias posseiras a se engajar na luta pela desapropriação deste antigo latifúndio com fins de reforma agrária. Tendo os camponeses posseiros conquistado a terra e transformando este latifúndio em assentamento, Edilene e Izaque permaneciam sempre na linha de frente na defesa dos camponeses da área, lutando por outros direitos, como crédito rural, transporte escolar para crianças do assentamento, na criação coletiva de gado, e fazendo denúncias das arbitrariedades dos fazendeiros, grileiros e politiqueiros locais contra os camponeses e a população rural.

Mesmo tendo conquistado seu lote de terra, este casal de lavradores ainda permanecia ativamente mobilizado para ajudar camponeses de outras fazendas que ainda se encontravam na condição de sem-terras, incentivando-os a permanecerem na luta contra a classe latifundiária. Durante o 6º Congresso Nacional da LCP, realizado em 2014, Izaque foi eleito coordenador do Assentamento 10 de Maio, junto com seu companheiro Enilson Ribeiro que foi, também, brutalmente assassinado por pistoleiros no início deste ano de 2016. A ofensiva da reação latifundiária contra os movimentos de massas rurais tem se ampliado de forma considerável nos últimos meses e anos.

O banho de sangue derramado do povo se faz ver nas mais de 100 lideranças camponesas e de povos originários executadas pela pistolagem desde o início de 2015 até o presente dia, sem que os grandes conglomerados da imprensa reacionária noticiem a situação de calamidade social e econômica vivida pelas regiões rurais brasileiras sob a bota dos latifundiários, agiotas e agroindustriais. Tal situação, também, não pode ser separada do Golpe de Estado consumado neste presente mês e que já vem se desenvolvendo há muitos anos, com a nomeação de figuras caricaturais da classe latifundiária – como Blairo Maggi e Ronaldo Caiado – para cargos chave do pseudo-governo golpista e pró-imperialista de Michel Temer.

Veja mais em http://www.resistenciacamponesa.com/

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