Violência Policial

Mais relatos de abuso policial no Complexo do Alemão-RJ

Por Raul Santiago. Foto de capa: Katia Carvalho.

Lista do que vi hoje:

1) Casa invadida por policiais e a dona dá casa querendo entrar para me mostrar a situação, e o policial não deixando e tapando a entrada, disse que se ela ou o esposo tentassem entrar, eles o estariam empurrando e ele tomaria as devidas providências.

2) Um policial sem farda, de bermuda, chinelo e camisa de alça de marca de cerveja, (tipo abadá) vindo de pistola na mão, no meio da rua, fazenda a contenção de uma viatura que vinha carregada de material de construção, para fazer obra em casa invadida de morador.

— Policial carregando cimento, ferro, saco de areia, para construir banker dentro da casa de moradores.

3) O mesmo policial sem farda e antes armado, começou a me filmar. A partir disso eu o filmei questionando… Não quer ser filmado e quer estar filmando? Você está de serviço, pois assim com essa roupa? Não parece… Se não está de serviço, invadiu casa para morar aqui? Para qual comando e qual UPP você trabalha? Qual o motivo de invadir a casa dessas pessoas humildes?

— A partir dos questionamentos, ele se exaltou e veio bater boca comigo, parece até que iria me agredir. Exaltado, gritando e cuspindo por não ter ou não querer responder às minhas perguntas. Veio muito alterado mesmo para cima de mim e teve que ser segurado por outros vários PMs, de farda e sem identificação.

4) Moradores chorando, na moral, chorando, sofrendo em silêncio, em desespero solitário, sem saber o que fazer. Uma senhora veio dizer que mora sozinha e todo dia a polícia arromba o portão dela… Outra que os pais são idosos e um deles é cadeirante e está com a casa invadida. Outra senhora tem um filho especial e está com a laje tomada de PMs.

— Gente, são casas inteiras de moradores, todos os andares dominados, um policial na entrada da sua dizendo que já era, perdeu, NÃO VAI ENTRAR!

5) Depoimentos de moradores: “Entraram e comeram tudo que tinha na minha geladeira. Estão passando fome e deixam a gente também”… “Quebraram a minha sala inteira, a parede está cheia de furos, que fizeram para dar tiros de fuzil de lá de dentro”… “Fizeram um muro blindado na minha laje, acamparam lá em cima e levaram meu sofá”… “Quebraram tudo, dizendo que era casa de traficante, mas era casa de uma idosa e cega, minha avó”…

6) Em certo momento um policial não identificado perguntou quem poderia falar como responsável pelo movimento… Então ao me identificar para querer saber o porquê dessa pergunta, o policial criou um perímetro imaginário e disse que não poderíamos passar daquela área e que o que viesse à acontecer com qualquer um dos moradores ali presente, a culpa seria minha. Mas heim?

ISSO TUDO COM CÂMERAS, COM A IMPRENSA, os PMS fizeram isso, imaginem os moradores em dias sem câmera?

É daí para pior, galera.
Estou realmente preocupado com a integridade das pessoas do Papo Reto a partir da explanação que fizemos dessa covardia e mais ainda com essas pessoas que estão sendo violadas a cada segundo.

ISSO TEM QUE SER RESOLVIDO e SERÁ!
AGORA IREMOS ATÉ O FIM COM ISSO!

Charge de Carlos Latuff sobre as invasões as casas de família praticadas por policias militares da UPP.

Raul Santiago é jornalista e atua como midiativista do Papo Reto, coletivo do qual é um dos fundadores.

#NósporNós
#FavelaSempre
#ColetivoPapoReto

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