Brasil

Força Nacional ataca com bombas de efeito moral integrantes da etnia Mundukuru

FORÇA NACIONAL RECEBE MUNDURUKU COM BOMBAS de efeito moral em ação dos indígenas que foram cobrar por acordos não cumpridos e defender seus território sagrados, destruídos pelos construtores das UHEs, acusados tb de profanar mais de 10 urnas funerárias. Abaixo, a declaração dos índios:

“O POVO MUNDURUKU VOLTOU!”

“Nós mulheres e homens do povo munduruku voltamos com nossos pajés para perto de nossa Dekuka’a e Karubixexe. Viemos fazer nosso ritual. Estivemos em julho aqui para conversar com os pariwat que destruíram nosso lugar sagrado. O lugar aonde nossos antepassados vivem.

Primeiro queremos os dapixiat (mentirosos) longe de nós. Não apareçam aqui, as mentiras que vocês contaram em julho escureceram nossos olhos mas nossos pajés estão conosco e agora não vão deixar que o cauxi da boca de vocês adoeça nosso povo. Queremos falar com gente séria.

Vocês pariwat não entendem o que escrevemos, ouvem a gente, mas não sabem escutar. Nós realizamos a audiência sobre os nossos locais sagrados nem a FUNAI e nem os representantes das empresas compareceram, são dapxiat! (mentirosos!) Estamos aqui pra defender nosso direito, lutar contra as ameaças ao nosso território, denunciar as hidrelétricas no rio, somos como o Poy que derrotou a anta, o povo munduruku é como o jabuti, vamos derrotar os nossos inimigos maiores que nós.

O ataque das hidrelétricas contra nossos locais sagrados não vai ficar assim. Não vamos sossegar até que o IBAMA cancele a licença da hidrelétrica, até que as duas empresas peçam desculpas aos nossos antepassados e ao nosso povo e cumpram o combinado para a segunda visita às nossas urnas.

Quando chegamos, fomos recebidos com bomba, uma barreira da força nacional e um papel do juiz que nos impedia de entrar no nosso próprio território, que foi roubado pela usina. Estamos esperando justiça até hoje pela destruição de Dekoka’a e a justiça funciona para proteger a usina hidrelétrica e trata nós como criminosos. Nesse papel também estava o nome de lideranças, dizendo que teríamos que pagar uma multa de R$ 5 mil por dia se ficarmos aqui.
Queremos deixar claro que não somos criminosos. Que estamos no nosso local sagrado e que temos o direito de ficar aqui até que a gente seja atendido. Entregaram um papel escrito à caneta dizendo que vão trazer o diretor da DPDS da FUNAI. Não foi isso que pedimos e mais uma vez querem enganar a gente com um pedaço de papel que não vale nada. Para responder para MPF e para falar com os pariwat, os advogados trabalham e escrevem ofícios. Mas o povo Munduruku é tratado com esse desrespeito.

Não vamos aceitar mais uma das suas manobras. Queremos o presidente do IBAMA, presidente da FUNAI, presidente do IPHAN e diretor da CHTP para dialogar com a gente.

Se Miguel Setas e Antonio Mexa estão em outro país, que enviem os representantes maiores da EDP no Brasil ou enviem nossas lideranças para lá, falar com eles no país de onde vem essa empresa que está nos matando.
O Idixidi é o rio do povo Wuyjuyu, nós deixamos os wuyḡuybuḡun ficar no rio, só os ribeirinhos e os pescadores sabem respeitar o rio.

Não escolhemos essa guerra, mas vamos vencer!”

Sawe!

Movimento Munduruku Ipereg Ayu.

Via Caetano Scannavino.
Fotos: Juliana Rosa e Fernanda Moreira.

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