Terrorismo de Estado

A cor da paz não é vermelha!

Por Buba Aguiar.

A cena do policial com o pé na porta de moradores, não existe mais nas favelas que vão sendo pacificadas. Agora só com mandados.” – Rodrigo Pimentel.

Entendi. O “pé-na-porta” é um tratamento especial para quem mora em favela. Na verdade, é um tipo de pacote promocional, mas que ninguém gostaria de adquirir.

Nossos algozes gritam, bem rente a nossas caras, cuspindo gotículas imundas de perversão.
“More na favela e ganhe: pé-na-porta, esculachos, descasos, tapas na cara, humilhações, rebaixamentos, abusos de autoridade, abordagens e revistas policiais violentas e arbitrárias. E nesse pacote ainda está incluído, totalmente grátis, e fora de seus quilombos, show de seus estilos musicais favoritos.”

Os capangas, fardados e armados, de inclemência, executam o serviço nos empurrando, goela adentro. Agentes especialistas na arte sangrenta de nos desnudar de nossa dignidade, que já é extraída de nós, maciça e covardemente, no dia-a-dia.

Nós, favelados, estamos cansados de sermos tratados como a sujeira acumulada no canto da sala, e que agora será varrida pra debaixo do tapete, pois irão receber visitas em casa.

Estamos cansados dos olhares de espanto, quando algum de nós foge da estatística, e ao invés de se tornar assaltante, traficante, dependente química, ou da Bolsa Família, esse passa para uma faculdade pública e arruma um bom emprego.

Acham que não somos merecedores de um bom aparelho eletrônico, roupas, que já suspeitam ser fruto de roubo. Nós somos a maior parte da sociedade, e a que menos tem acesso à um mundo humanizado, a parte que mais corre atrás da sobrevivência..

Nós somos amarrados, amordaçados e chicoteados todos os dias, pelos justiceiros de colarinho branco.

Nos esfacelam, nos tratam com escárnio e ainda nos fazem crer que somos nós os responsivos por isso.

Nós não queremos uma caixa com soldadinhos-taca-chumbo, dentro dela pra fazerem de nós os seus brinquedos.

Precisam de nós, mas não nos ouvem.

Queremos cartilhas, apostilas, cinemas, medicações, músicas e poemas.

Buba Aguiar é moradora de Acari, defensora de direitos humanos e midiativista.

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