Política

Brasil: o país dos sinhozinhos e da “Cantilena dos Derrotados”

O produto mais escasso do século XXI é o tempo e o Brasil é aquele lugar onde a revolução industrial atrasou 180 anos.

Até 1930 isso aqui era uma fazenda. Um fazendão.  A “República do Café com Leite”, uma espécie de filial das repúblicas das bananas, que já na época eram exploradas pelos americanos da United Fruit Company e da Standard Fruit.  

Essa é a origem da nossa cultura de sinhozinhos e escravos. Nós somos herdeiros  do pior e do melhor do Fazendão Brasil.

Pois bem, passaram setenta e poucos anos, o período do qual fomos inseridos no mundo “civilizado” e estamos aqui, com telas de LED em nossas fuças, nos achando parte da civilização, mas ainda não passamos de sinhozinhos e escravos usando iphone.

E no fazendão, quem tem iphone e anel de dotô é rei. É o reflexo da nossa miséria, pois os sinhozinhos só conseguiram dinheiro e nada mais. Não se emanciparam. Não criaram nada e ainda precisam da ama de leite, precisam de alguém para preparar o achocolatado e quase não conseguem sequer limpar a própria bunda.

Uma cultura de terceirização da autonomia do indivíduo. Cada sinhozinho tem ao menos um auxiliar escravo para resolver seus diversos “problemas”, como lavar a roupa,  abrir a porta, limpar a casa, bater a vitamina de leite com pera, estacionar o  carro, encher o tanque, buscar a cerveja no Bar, engraxar os sapatos e atender o telefone. E quando não tem, é a mulher que o faz, numa cultura de seres machistas e desprovidos de autonomia individual.

E na “camada de baixo” alguns se sentem a vontade em chamar o outro de “meu patrão” e de “dotô”, mesmo que esses não sejam nem patrão, nem dotô. E isso ocorre, porque também gostariam se ser chamados assim, tal estivessem na mesma posição.

E é assim, a partir desta tragédia civilizatória, de sinhozinhos inaptos, indivíduos dependentes, que ainda estamos discutindo questões que já foram superadas no século XX.  É o coro dos malucos! Enquanto uma quantidade inacreditável de doidos enxergam o “comunismo” por todos os lados, numa espécie de “Neo Macartismo do Fazendão”, outra meia duzia de malucos sonham com o Camboja e com  a implementação do ano zero. Querem passar geral no paredão e levar o país de volta para a fazenda .

Difícil saber quem é mais doido.

Porém em todos os grupos e subgrupos há um mantra que os une, e é até mesmo recitado pela maioria que não comprou ingressos para essa guerra fria 2.0. É a “Cantilena dos Derrotados” que diz em seu refrão que nós não temos capacidade. Que o Brasil não pode seguir exemplos e colocar em prática aquilo que inconscientemente todos querem negar: Algo deu certo no mundo. 

Alguns humanos conseguiram chegar em nível mínimo de civilização.  E se eles conseguiram, nós também podemos.  Basta ter a humildade de aceitar essa realidade, de estudar, aprender e botar em prática o que deu certo.

Muita coisa vingou nesse mundo e eu sei que muitos irão dizer que não, pois na cabeça de platonista, a única esperança para humanidade é o encontro com Deus. É o paraíso, a redenção final, a revolução, a troca da realidade áspera do hoje, pelo unicórnio multicolorido do amanhã. O platonista antes de mais nada é uma criança cheia de imaginação e sonhos, e quem é que não tem essa criança dentro de si?  Enquanto o seu lado de luz nos carrega para o novo, o seu darkside nos enterra na negação do agora, do hoje, do pagar o leitinho das crianças. 

Junta-se essa ressaca desse neo platonismo darkside com a dificuldade de trazer ao mundo da humildade todos os “dotôs” e sinhozinhos, somado ao sentimento de eternos vira latas,  estamos afogados no impasse.

E no mundo real, do pagar das contas,  nós precisamos com urgência mudar as regras do jogo. Uma revolução na estrutura política se faz necessária e mais do que nunca precisamos de referências. Modelos reais, como o da Democracia semidireta da Suíça e outros modelos de democracia direta.  Temos que reformar urgentemente todos os mecanismos de Estado e podemos usar o modelo Sueco.

No meio de uma crise de representatividade sem precedentes, se faz urgente tal mudança e não teremos tão cedo outra oportunidade. Das câmaras de vereadores até a presidência da república a representatividade é nula.   O morador da Rocinha não tem um único representante na câmara dos vereadores do Rio de Janeiro. Por que?

Se um bairro com 70.000 habitantes não tem um único representante na câmara dos vereadores, que democracia é essa? É uma tragédia anunciada, uma farsa!

A reforma política deve incluir um modelo onde cada bairro tenha na câmara seu representante direto. Representante que more e viva no local e através das associações de bairro seja eleito e cobrado e possa incluir projetos no orçamento do município.

 O imposto pago pelos moradores da Rocinha precisa de alguma forma ser gerido pelos próprios moradores.  Essa deveria ser a base de todo o sistema parlamentar, para que de fato seja representativo e justo.  Tudo que for feito fora dessa lógica será roubo e enganação.

Na Suécia por exemplo,  a função de vereador é considerada um trabalho voluntário . Vereadores e deputados regionais suecos recebem apenas ajuda de custo. Porque não implementar esse tipo de política em um país tão desigual onde o dinheiro público é sangrado de todos os lados?

Lá, além destes cargos não possuírem salário, eles também não recebem verbas para a contratação de assessores. O burguês médio Suéco conseguiu ao menos aprender a limpar a própria bunda.  Aquele que não tem capacidade para representar seu iguais, não deve sequer se candidatar, não será só mais uma mula assessorada.

Deputados federais não tem qualquer mordomia. Não possuem carros com motorista e e os apartamentos funcionais são de 16m², onde eles preparam a própria comida e lavam a própria roupa.

Os juízes da suprema corte, assim como outros cargos com a mesma importância não possuem auxílio-moradia, auxílio-saúde, auxílio-alimentação, abono de permanência, prêmios, gratificações extras ou carro oficial com motorista. Nada de mordomia com o dinheiro público. 

Se na Suécia conseguem fazer isso, neste país onde ninguém mais aguenta olhar na cara de políticos profissionais, isso é uma necessidade.

Em 2013 no Brasil, o custo da atividade parlamentar, apenas do poder legislativo, sem contar com os salários e gastos do judiciário e executivo, girava em torno de R$ 20 bilhões/ano. Dinheiro que poderia ser usado em saneamento básico, que é uma das tragédias deste país.

No país dos sinhozinhos qualquer mudança que retire dos cargos de vereador, deputado, juiz o status de “dotô” é uma necessidade.

Na saúde, nós temos que aperfeiçoar o SUS, modelo copiado do NHS ( National Health Service) da Inglaterra, que hoje também sofre a ameaça de ser privatizado.  Na educação temos que implementar o modelo finlandês.

E não podemos esquecer que aqueles que levaram milhares para Avenida Paulista pregam o contrário. Querem jogar o povo para um feirão da saúde e educação e nós vamos aqui fazer um post exclusivo, expondo os verdadeiros interesses por trás de movimentos como esse MBL.

Se o Estado conseguisse ao menos priorizar e fazer funcionar o que é estratégico ao país,manter um sistema de Saúde que realmente funcione e promover uma revolução pela Educação, formando cidadãos que pensem e sejam autônomos e não mais sinhozinhos e escravos,  talvez não teremos mais um século perdido. O restante como nos países modernos como na Escandinávia, ficaria por conta da iniciativa privada. 

Nos séculos XIX e XX nos demos o luxo de cultivar mais de 180 anos de atraso.

No escasso tempo do século XXI, nós não teremos 180 anos para nos inserir na revolução tecnológica que ocorre agora e isso nos colocará fora do jogo completamente e seremos mais uma vez o “celeiro do mundo”, desta vez usando as sementes da Monsanto.  É mais uma tragédia anunciada.

 

Comentários do Facebook

Comentários

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top