Internacional

As controvérsias da saída ou manutenção da Inglaterra na União Europeia

The Economist publicou hoje um artigo (econ.st/1Q79AhQ) sobre a controvérsia da saída ou da manutenção da Inglaterra (ou a Grã-Bretanha) na União Europeia. No quadro com os principais argumentos de cada lado, duas posições do “Out” me chamaram a atenção, ambas relacionadas à política externa e comercial.

A primeira diz que, fora da UE, a Britain poderia fazer novos acordos com a América, a China e a Índia sem estar preso às leis da União Europeia. Pelo pouco que sei, os países da UE fazem acordos comerciais com essas regiões. O que tanto incomoda o UK que as leis da UE não bastam?  Estaria o desmonte (ou descaracterização) do BRICS tão desejado pelo Norte envolvido nisso?  Que tipos de “novos” acordos seriam esses? Ao parecer, a possibilidade de acordos facilitados internos à UE não está satisfazendo a fome desenfreada do mercado britânico. Ele quer mais e quer se expandir para o Sul de forma “livre”. Nós aqui da América Latina conhecemos o que significa essa liberdade de mercado por parte dos grandes do Norte há pelo menos 500 anos.

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A segunda traz um ponto ainda mais delicado, que é o da cooperação internacional. O argumento dos “Out” é que o UK não tem, estando ligado à UE, influência bastante em instituições internacionais. Ou seja, no campo do livre acordo comercial e da ingerência política em outros países – estando a América apontada como forte interesse no primeiro ponto -, a Inglaterra estaria se vendo limitada quanto a seus desejos de expansão. Poderíamos inferir, a partir desse ponto, que os “Out” querem, acima de tudo, caminho aberto e pavimentado para relações exteriores mais próximas dos EUA de forma que os mercados – financeiros, de trabalho e de consumo – dos países da América do Sul (no que concerne a nós) estejam ainda mais controlados pelos interesses de suas ideologias e práticas econômicas?  Seria absoluta insensatez conjecturar que esse movimento está diretamente ligado ao atual tsunami mundial de conservadorismo e reimposição neoliberal? Conferiria insolência ou estupidez entender a vigente situação política e econômica brasileira como parte dessa “nova” empreitada do Norte?

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Estou longe de ser expert em relações internacionais, muito menos no campo comercial. No máximo, me posicionaria como curiosa e olhe lá. Pode ser que eu esteja errada nas perguntas, ou em suas formulações. Mas acho (só posso achar) que, se Milton Santos estivesse vivo, ele se veria obrigado a rever as fronteiras do que classificou de globalização como perversidade. Aliás, está chegando o tempo de reavaliar, de forma ampla, o que significa perversidade; ela está de fazer corar o mais pedófilo dos padres.

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