Rio de Janeiro

Agosto: O Desmonte da Saúde no Rio de Janeiro

Série de artigos, fotos e vídeos que evidenciam o desmonte da saúde pública no Rio de Janeiro, que vem no processo de promoção dos planos de saúde “populares” privados, como o LIFE que pertence a Igreja Universal do Reino de Deus, mesma igreja do pastor e prefeito da cidade Marcelo Crivella.

23/08/2017 – Trabalhadores e usuários da saúde realizam manifestação na Av. Ayrton Senna

Por: Elas da Corrente

Ontem 23/08/2017 às 16h, trabalhadores e usuários das clínicas da família e CAPS dos bairros de Curicica, Cidade de Deus, Taquara, Praça Seca, Tanque, Recreio, Rio das Pedras, Gardênia Azul, Anil e Barra da Tijuca realizaram manifestação na Avenida Ayrton Senna, com o objetivo de reivindicar a garantia do direito à saúde de qualidade, melhores condições de trabalho e o cumprimento de questões trabalhistas, como pagamento dos salários atrasados.

A prefeitura anunciou, no início de agosto, o fechamento de 11 clínicas da família da região. Após intensa mobilização popular, o prefeito recuou quanto ao fechamento dos serviços mas afirmou que haveria cortes de equipes inteiras com demissões de profissionais.

Nas Clínicas da Família, todos os trabalhadores são terceirizados sejam eles médicos, enfermeiros, Agentes Comunitários de Saúde, Técnico de Enfermagem, Equipes Multiprofissionais, assim como técnicos administrativos, auxiliares de serviços gerais e porteiros. A prefeitura do Rio de Janeiro contrata Organizações Sociais (OS), como a OS IABAS, para realizar a gestão dos recursos humanos e financeiros destinados saúde do município. Através de repasses são realizados compra de materiais, insumos e medicamentos, assim como o pagamentos de trabalhadores das Unidades de Saúde. Até data de ontem, todos os trabalhadores da região citada estavam sem receber seus salários de julho e sem previsão de pagamento. Além disso, em algumas unidades de saúde, os profissionais receberam o comunicado de que estão em aviso prévio e que o agendamento de consultas deveria ser suspenso.

Atualmente, as Clínicas da Família são os serviços com maior capilaridade no município e portanto são responsáveis por oferecer cuidado às pessoas no território em que vivem. Na prática, ofertam serviços como pré-natal, vacinação, coleta de exames laboratoriais, raio-x, ultrassonografia, assistência farmacêutica, consultas de puericultura, acompanhamento de pessoas com hipertensão, diabetes, tratamento de tuberculose, de DSTs, visita domiciliar, grupo de tabagismo, consultas médicas, de enfermagem e odontológica, equipe multiprofissional (Nutrição, Psicologia, Serviço Social, Psiquiatria e Educação Física), atividade física e auriculoterapia.

Diante das ameaças de cortes no orçamento da saúde o que se observa é o risco de demissões de trabalhadores e redução expressiva dos serviços ofertados às pessoas cadastradas nas clínicas. Serão milhares de pessoas, que hoje realizam acompanhamentos para diabetes, hipertensão, obesidade, pré-natal e saúde da mulher, da criança, do adolescente e do idoso junto às suas equipes em unidades com menor quantitativo de trabalhadores e ausência de materiais e medicamentos, sucateando assim a atenção básica e gerando agravos como o retorno de índices alarmantes de mortalidade materna-infantil, amputações, infartos e doenças crônicas agravadas. Essas pessoas voltarão a peregrinar pela cidade do Rio de Janeiro buscando os antigos serviços, que também estão passando por processo de desmonte.

Tais questões foram a pauta da manifestação realizada ontem, que exigiu a garantia do pleno funcionamento das clínicas da família, sem redução de equipes e/ou trabalhadores, assim como condições adequadas de trabalho, garantia de abastecimento de materiais, medicamentos e insumos, de forma a ampliar a assistência à população. É importante destacar que mesmo diante da repressão policial, que se utilizou de spray de pimenta e terror psicológico para dispersar àqueles que lutam pela manutenção e melhoria das condições de saúde, os trabalhadores e usuários do SUS se mantém firme e seguem resistindo.
Não por acaso ao final do dia, após a manifestação, a OS realizou o pagamento dos trabalhadores de nível médio, ou seja, técnicos e ACSs. São essas categorias com maior quantitativo de contratados e portanto, apresentam maior poder de mobilização. É preciso mobilizar-se, uma vez que, nenhum direito está garantido. Nem o direito à saúde e muito menos os direitos trabalhistas.

 

Usuários das Clínicas da Família em defesa da Atenção Básica

Ato no Centro do Rio de Janeiro 03/08/2017

Usuária da Clínica da Família de São Cristovão

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