Política

A esquerda brasileira não tem projeto, nem vergonha na cara.

A esquerda brasileira é uma tragédia.  Todos os partidos que representam essa esquerda da ordem ou são viúvas da união soviética ou são dissidentes do projeto lulo-petista. A única exceção é o que restou do “projeto brizolista”, que também vive a reboque do PT.  Não há nada novo. Nada de novo pra contar.

 É uma esquerda que não entende, nem fala de economia e acha que economia é assunto de burguês. É uma esquerda que quando chega ao poder chama o Delfim Netto para dar consultoria.

A esquerda brasileira é o filho da classe média branca que não sabe de onde vem o dinheiro da mesada.

É ainda aquela esquerda que confunde mercado com capitalismo. É a esquerda que acha que burguês é o dono da padaria.

Não sabe que a burguesia se apropriou do mercado através do monopólio do dólar americano, da financeirização do sistema.  E a solução não é acabar com o mercado,  é quebrar o monopólio do dólar no mercado internacional e fomentar o mercado interno dando ênfase aos pequenos e médios empreendedores. Proteger o trabalhador e também os pequenos e médios empreendedores contra o avanço das grandes corporações que querem dominar tudo e todos.  É fazer uma revolução através da educação, formando homens e mulheres emancipados, que não dependam do Estado para sobreviver. Homens e mulheres que possam mudar o país através da cultura, da inovação, da ciência e da tecnologia. É uma esquerda que não enxerga que o mercado é a solução e não o problema.

É uma esquerda que não enxerga seu lugar no mundo, que não entendeu ainda que o capital do século XXI  trocou o controle dos meios de produção para monopolizar o sistema financeiro. O capital agora é o monopólio da emissão da moeda indexadora, que tem o poder de comprar toda e qualquer produção, em qualquer canto do planeta. Não se compra nada no planeta sem passar por eles e quem controla o dinheiro controla o mundo.

Nem Marx previu a moeda fiduciária, a moeda que não tem lastro, que nada vale além do valor que damos a ela, e é por isso que essa esquerda está mais perdida que cego em tiroteio. É uma esquerda que não entende que o monopólio da emissão de moeda fiduciária é o maior golpe da história humanidade e é ao mesmo tempo o calcanhar de aquiles do sistema. E não há um só maldito projeto desta esquerda, um maldito líder desta esquerda que questione essa realidade.

A esquerda brasileira ainda acha que empreender é precarizar. Em pleno seculo XXI, enquanto a China ensina programação de computador para as crianças do pré-primário, a esquerda brasileira acha que empreender é precarizar. É uma tragédia.

 É uma esquerda que quer ver o estado fazendo o papel de pai, de tutor do indivíduo. Nada mais é do que um stalinismo de quinta categoria repaginado e envergonhado pronto pra ser derrotado mais uma vez.   A esquerda brasileira não sabe quem são seus verdadeiros inimigos e por isso, muitas vezes serve de fantoche. É um clube de fantoches da geopolítica internacional.

E não há na história da humanidade, estratégia vencedora, que não passe pelo estudo profundo do inimigo. É o básico da arte da guerra e a guerra hoje é midiática e econômica e o Brasil está perdendo essa guerra e a esquerda brasileira não consegue achar seu verdadeiro inimigo.

É uma esquerda que recebe dinheiro das fundações ligadas ao grande capital e não se questiona o porque do grande capital querer financiá-la. É verdadeira vergonha para todas as gerações de homens e mulheres que lutaram contra a ganância do capital. Só a Ford Foundation, que é apenas uma destas fundações, colocou nos últimos 10 anos, US$ 72 milhões em projetos ligados a esquerda no Brasil. E essa é apenas uma das dezenas de fundações que trabalham claramente com o proposito de dividir pra conquistar.

O Brasil é uma nação gigante, sem ciência, sem tecnologia, sem poder bélico e sem projeto de país e se não abrir os olhos será pilhado e anexado. E se não se cuidar entrará numa desestabilização que tem o único objetivo de levar o país à lama, pra depois emprestar dinheiro e drenar todas as riquezas em juros sem fim.

O clube da elite mundial, o 1%,  detém o monopólio da emissão de moeda e também, o monopólio da mídia global. E o PT nos 12 anos de governo o que fez? Endividou o país e pagou em publicidade só para a Globo, mais de 6 bilhões de reais.  R$ 6 B-I-L-H-Õ-E-S!   É o mesmo valor que foram vendidas as operações das Casas Bahia. O PT deu para Globo em 12 anos um montante equivalente ao valor das Casas Bahia.  Depois foi cuspido do governo pela mesmo Globo.

Como dizia o Brizola, a Globo é o maior câncer da história deste país,  é a principal representante da agenda do clube do 1% no Brasil.  E essa esquerda rastaquera ainda recebe grana dessa gente através destas fundações e ainda se fingem de desentendidos.  Quantos são os projetos que recebem diretamente verbas e patrocínios dessas fundações do clube do 1%?    A burguesia não faz caridade, ela investe e manipula para chegar áquilo que é do seu interesse.

Essa esquerda rastaquera com a cabeça no século XIX não tem mais contato com a realidade. Perdeu completamente o contato com o dia a dia do povo da periferia, do camelô, do pequeno empreendedor, do trabalhador.

É uma esquerda que virou as costas para um Rio de Janeiro que diariamente vê a polícia matar moradores de favelas em plena luz do dia. São casos que não saem nos jornais e não há sequer um posicionamento crítico sobre isso, nem uma nota nas páginas e redes sociais destes partidos e movimentos.

É uma esquerda que compra a versão da grande mídia e se cala diante às execuções diárias sob o pretexto de se tratar de “traficantes”, como se no Brasil houvesse pena de morte.

Enfim,  a esquerda  brasileira é tão ruim e medíocre quanto a direita, é uma esquerda que perdeu o bonde da história e que não tem mais representatividade, nem vergonha na cara.

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Comentários

5 Comments

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  1. Edilson Timóteo

    7 abril, 2016 at 10:06

    Felizmente a esquerda também não é o que você quer, autor, e mais felizmente ainda, a esquerda não é a “esquerda partidária”, que nem esquerda é, ainda mais, essa que ocupa o Estado. Promover a iniciativa inventiva, trabalhadora, é uma coisa, promover o empreendedorismo é outra, promover a autogestão é uma coisa, a independência financeira é outra, promover a liberdade fora do capitalismo é uma coisa, promover o capitalismo é outra. A esquerda partidária tem projeto sim, é este aí dentro e fora do governo, ou estão na disputa pelas entidades classistas (sindicatos e demais) ou estão no Estado aplicando seu projeto de perpetuação no poder. Muito parecido com a direita, guardadas as ressalvas de algumas defesas de direitos sociais e uma heterogeneidade no reconhecimento das peculiaridades culturais diversas.

    • Neo Baudrillard

      Neo Baudrillard

      7 abril, 2016 at 10:13

      Edilson, o texto é claramente direcionado para a “esquerda” da ordem.

      • Claudemir

        7 abril, 2016 at 11:14

        A “esquerda da ordem ” não é esquerda. Logo, será correto usar o termo esquerda?
        A crítica ao centro/direita travestida de esquerda não serve a direita?

        • Neo Baudrillard

          Neo Baudrillard

          9 abril, 2016 at 7:35

          Esse é o seu ponto de vista. Para uma parte do povo, o PT é um partido “comunista”e para o povo americano o partido democrata é de esquerda, sendo assim não dá pra usar linguagem de seita.

  2. Sandro Mayrink Paula

    7 abril, 2016 at 12:00

    Qual esquerda? Generalizou demais. No Brasil existe sim uma esquerda progressista representada por pequenos partidos como o PSOL que nada tem a ver com o Stalinismo. Esta esquerda não defende um Estado pai ou tutor. Pelo contrário, quer controle e participação social ampla da vida política e econômica do país, apostando na educação e na cultura como principais meios para libertar e tornar o povo protagonista das transformações socioeconômicas. Essa esquerda não acredita em mitos ou messias, não faz culto à personalidade e é oposição ao Governo. São críticos e se opõem com veemência ao monopólio midiático e ao 1% da burguesia que detém quase todo o poder e a riqueza; e não aceita o financiamento privado de campanha. Esta esquerda exige auditoria da dívida pública e faz sua prestação de contas em evento público. É uma esquerda preocupada e militante em prol dos direitos humanos, como a violência contra a mulher, a homofobia, o genocídio da população negra do país; denuncia constantemente a violência policial e defende com afinco a liberdade religiosa. Esta esquerda tem horror ao autoritarismo. Não nega a importância dos mercados e do empreendedorismo, mas apenas não admite um capitalismo selvagem que prejudique o trabalhador e gere desigualdades sociais graves. Não que a esquerda retrógrada de que o texto trata não exista, existe sim, mas ela é tão expressiva e representativa quanto aquela extrema direita que pede intervenção militar. A análise foi simplista e jogou todo mundo da esquerda no mesmo saco, resumiu a esquerda a um PT stalinizado. Isso é desinformação, ou o autor deveria ter direcionado claramente a crítica a um pequeno setor viciado da esquerda.

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