Política

A farsa eleitoral municipal no Rio de Janeiro

Por Wilson Ventura

Algumas especulações acerca das verdadeiras intenções por trás da campanha descarada do monopólio da mídia, sobretudo Globo e Abril, contra Temer, em nível nacional, e Crivella, no Rio de Janeiro, puderam ser observadas nas redes sociais recentemente.

É evidente que, contra Temer, o que a Globo vem fazendo sistematicamente seria tão somente um projeto para retirar do poder o PMDB golpista e colocar em seu lugar o PSDB, titular da cadeira de cabeceira no banquete da burguesia empresarial.

Já contra Crivella, com a farsa eleitoral municipal já no segundo turno, entende-se como uma investida contra o poder da Record (Igreja Universal), que se tornaria um veículo oficial de propaganda da gestão Crivella, caso eleito. O quê seria muito mais difícil de contornar do que a gestão Freixo, a qual não teria apoio midiático nem da Globo nem da Record.

Derrotando Crivella nas eleições, todo esforço, antes a favor, seria empreendido depois contra Freixo deixando de fora do poder tanto a IURD como a esquerda reformista. Como a era do podre PMDB no Rio de Janeiro já chegou ao seu trágico fim, assim o caminho estaria livre para o monopólio da mídia empoderar o PSDB nessa estratégica cidade.

Inequivocamente, pode-se afirmar que há diferenças entre Crivella e Freixo relativas a suas gestões ou mesmo a princípios e ideologias. Entretanto, essas diferenças se tornam quase insignificantes diante do poder do capital que controla o cenário político e sua farsa eleitoral em todas as esferas nacionais.

No capitalismo, existe um sistema comprometido em manter o “status quo”, cuja base é o processo eleitoral com o voto obrigatório. Vai ano vem ano, entre eleições e troca de gerentes de turno, sem que nenhuma mudança realmente significativa em favor das massas trabalhadoras ocorra. Toda essa enganação acontece desde o advento da Constituição dita do povo (CF/88), cuja legislatura burguesa salvaguardou todos os benefícios possíveis que o empresariado burguês pudesse manter. O voto não mudará essa realidade, ele a mantém. Os governantes são eleitos para gerenciar o Estado capitalista.

O recente impeachment de Dilma demonstra a farsa eleitoral de forma que os governos eleitos pelo voto não são representativos sequer sob o ponto de vista da própria democracia representativa. Qualquer que seja o resultado das eleições, não haverá mudanças efetivas na vida do povo, pois qualquer um que seja eleito continuará comprometido com esse sistema corrompido.

Os únicos direitos que o povo de fato mantém são votar (obrigatoriamente) e escolher o “menos pior”. Ante a dúvida em participar desse processo neste fim de semana, lembre-se que, entre escolher o “bispo” evangélico da Universal e o “esquerda”, seu voto mantém esse sistema.

Wilson Ventura atua como mídiativista desde dos protestos das Jornadas de Junho em 2013. Trabalhou no Coletivo Mariachi em seu início e faz parte da assembleia editorial da Mídia Independente Coletiva.

Foto de capa: Ellan Lustosa

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