Povos originários e indígenas

517 anos de resistência – Aldeia Maracanã Re-existe

Nessa quarta (19/04/17), dia em que se comemora a cultura indígena, foi dado início a celebração da resistência, com o intuito de, além de recepcionar os irmãos das etnias Nhandeva, Kaiowa e Guajajara, firmar uma agenda de programações que afirmam a histórica resistência indígena na região.

Em dezembro de 2013, as forças do estado arbitrariamente invadiram a terra que por direito era dos povos indígenas que a ocupavam, em um evento vergonhoso em diversos sentidos, evento esse marcado pela falta de escrúpulos das forças policias e seus mandantes (que agrediram idosos, mães e crianças durante a desocupação) e marcado também pelo bravo ato de resistência dos que permaneciam no local, com o emblemático caso de José Guajajara (Urutau) que permaneceu (a contra gosto das forças do estado) na copa das árvores que circundam o espaço da Aldeia Maracanã. Passados alguns anos, em 2016, a terra da Aldeia Maracanã sente novamente os pés de seus verdadeiros ocupantes, os povos indígenas removidos a força no fatídico evento descrito.

Com a retomada do espaço que cerca o prédio que fora ocupado em 2013, e a chegada dos irmãos Nhandeva, Kaiowa e Guajajara, a resistência indígena do rio de janeiro volta ao seu berço de origem, a aldeia maracanã. E como forma de celebrar o momento, foram organizadas atividades culturais que se estenderão por duas semanas, em dias alternados, perdurando até o dia 30 de abril.

Conforme os próprios indígenas que na Aldeia Maracanã se situam, diversas etnias, movimentos sociais de estudantes, trabalhadores e afins afirmam e reivindicam as terras como território ancestral de manejo unica e exclusivamente indígena. Além dessa primeira reivindicação, exige-se a continuidade do projeto autônomo dos indígenas (interrompido com a invasão das forças do estado e a consequente desocupação) para o prédio que ocupavam em 2013. O projeto consiste na criação da sede da primeira universidade indígena do país no prédio que permanecera ocupado até 2013, local aonde os próprios indígenas exerceriam o seu direito de, autonomamente, manter viva a sua cultura e contar a sua versão da história. Uma forma de se evitar a versão da história ocidental, colonizada, que usualmente apresenta uma realidade histórica, especialmente no que diz respeito a cultura dos povos nativos, repleta de adereços, maquiagens, de maneira estereotipada e folclórica, em esforços para se amenizar as violências e abusos cometidos contra esses povos nativos.

Nesse contexto, os indígenas da Aldeia Maracanã fazem o convite para a série de atividades culturais, por eles planejadas, que ocorrerão durante essas duas semanas. No dia de hoje(19/04), foram realizadas atividades como grafismo corporal, visitas guiadas, a roda do ciclo de mulheres, a roda de Maraká e cantos ancestrais, além da exibição do filme Urutau, que mostra a saga dos indígenas no período da desocupação, bem como a resistência de José Guajajara, que dá nome ao filme.

O jornalista Carlos Augusto Lima França, o cineasta Yussef Kalume e o líder indígena Urutau Guajajara.

Link do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1517065458318038/?ti=cl

Programação dos diversos eventos que serão realizados:

Sexta, dia 07:
[manhã] Visita à Escola Benjamin Constant

*Domingo, dia 16:
14h – Conversa sobre “Vida em Comunidade e Ancestralidade” com o Projeto Aldeia Libertária
16h – Contação de História
– [noite] Roda de Maraká

*Quarta, dia 19:
Grande Festa de Celebração da Resistência Indígena na Aldeia Maracanã – Aldeia ReXiste

10h – Visita de escolas à aldeia
14h – Oficina de Cartazes e Faixas
16h – Contação de História
17h – Roda de Mulheres
19h – Exibição do filme “Urutau”
20h – Debate sobre o filme
21h – Roda de Maraká

*Quinta, dia 20:

13:30h – Ato em frente ao TRF, onde ocorrerá audiência relativa ao processo que envolve a disputa pelo território sagrado da Aldeia Marakanà. Rua do Acre, n. 80

*Sexta, dia 21:
17h – Roda de compartilhamento entre pesquisas que versem sobre a Aldeia Maracanã
[noite] Roda de Maraká

*Sábado, dia 22:
14h – Oficina de Maraká
16h – Aula de Idioma Tupi
18h – Plantio de Mudas
[noite] Roda de Maraká

*Domingo, dia 23:
10h – Feira Grátis da Gratidão na Aldeia
14h – Debate com o coletivo Educação Popular na Cinelândia: “Agricultura Orgânica no Combate à Fome Mundial”
16h – Contação de História
[noite] Roda de Maraká

*Terça, dia 25:
16h – Concentração e Roda de Maraká na Cinelândia
18h – Ato Público na Cinelândia

*Sábado, dia 29:
9h – Roda de Maraká na Praça [Praça Saenz Peña]
10h – Ato Público na Praça Saenz Peña
14h – Oficina de Kuripe e Tipi (aplicador de rapé)
16h – Aula de Idioma Tupi

*Sábado, dia 30:
14h – Visita à Feira Grátis da Gratidão, no Leme
16h – Contação de História

OBS.:: A programação ainda está construção e terá novas atividades a serem acrescentadas, assim como poderá sofrer alterações nos próximos dias. Fiquem atentxs!

Abril Indígena! Abril de Luta!

Teko Haw Marakanà, Tambo de Resistência!
Ayaya Mahyra! Ayaya Wiraqocha!
Salve Pai Tupã! Salve Mãe Tamain!

Aldeia ReXiste!

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