Violência Policial

41° Batalhão da Polícia Militar do Rio e a “Ronda da Morte”

Por: Buba Aguiar​

É tanta coisa pra dizer que eu não sei por onde e nem como começar…

O 41°BPM é o batalhão que mais mata em todo o estado do Rio de Janeiro. É o batalhão que atua na área onde moro. Eu, Buba Aguiar, assim como outros e outras militantes nos tornamos alvos desse batalhão por denunciar a conduta odiável dos policiais de lá.

Não sabem o que é sentir um frio na espinha e o medo tomando conta do teu corpo toda vez que vê uma viatura do 41°.

Não sabem o que é ver alguém levando tapa na cara porque foi abordado só com o dinheiro da passagem no bolso ou gaguejou pra responder algo.

Não sabem o que é sentir a mão de um desses policiais passear de forma nojenta pelos teus seios com a desculpa de estar procurando droga.

Não sabem o que é ver livros e apostilas serem rasgados, ou apreendidos, só pra te humilharem, porque segundo eles “favelado não estuda”.

Não sabem o que é ter teus pertences jogados ao chão e ter que ficar de quatro catando enquanto houve risadas.
Não sabem o que é ver eles executarem alguém com riso na cara e depois fazer a limpa no corpo (roubar boné, relógio, anel, cordão e cinto).

Não sabem o que é ver pessoas sendo colocadas na viatura pra serem levadas pra averiguação, sem terem feito nada suspeito e não saber se aquelas pessoas estão vivas.

Não sabem o que é ter viatura jogada pra cima de tu.

Não sabem o que é viatura em alta velocidade atrás de você com um fuzil mirado pra suas costas.

Não sabem o que é ter que ficar acordado porque tá tendo operação do 41° onde tu mora, e todos sabem o que eles fazem.

Não sabem o que é ter coisas roubadas por eles de dentro de sua casa (incluindo tênis, roupas, celulares, e até porta retrato digital).

Não sabem o que é ser algemada num portão até que comprovem que tu não é quem eles pensaram que você fosse.

Não sabem o que é ter subtenente do 41° BPM te ligando por dias em tom de ameaça, dizendo que talvez fosse melhor você não prosseguir com a denúncia feita contra o batalhão.

Nós, esquecidos do lado de cá, há anos gritamos sobre as barbáries que esse batalhão comete na área que atua, há anos tentamos dar voz aos nossos mortos. Mas nossos mortos não valem nem uma cruz branca encravada na areia da praia de Copacabana. Nossos mortos não valem uma vigília na Lagoa Rodrigo de Freitas. Nossos mortos não valem uma roda de oração no Aterro do Flamengo e nem em Botafogo.

Nossos mortos valem 1 projétil de fuzil, ou 111. Nossos mortos valem nossas lágrimas, nossa revolta, nossa dor, nossa luta pelo não esquecimento, e pela sobrevivência.

Infelizmente Wesley, Wilton, Cleiton, Carlos Eduardo e Roberto tiveram suas vidas ceifadas por esse batalhão fétido pra que vissem como é a rotina de quem mora onde o fuzil da morte faz ronda.
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⚘ In memória:
– Lucas Melo, 3 anos, assassinado pelo 41°, em 2014, com um tiro na cabeça enquanto dormia ao lado da mãe (Costa Barroa)
– Pedro Ivo, 19 anos, assassinado, em 2014, com um tiro nas costas enquanto ia à igreja (Acari)
– Ana Claudia, 30 anos, assassinada, em 2014, com um tiro no rosto quando ia ver seu filho com febre (Acari)
* Apenas 3 dos recentes, e inúmeros, assassinatos cometidos pelo 41.

? É impossível conter as lágrimas ao lembrar de todos e todas que foram executados pelos sádicos policiais do 41° BPM.

Buba Aguiar é moradora da comunidade de Acari, trabalha na Anistia Internacional e atua como mídiativista do Coletivo Mariachi.

Foto: Rafael Daguerre

Foto: Rafael Daguerre

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