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Catadores de Sonhos: documentário sobre luta dos catadores no 2° maior lixão do país é disponibilizado completo na internet

No segundo maior lixão a céu aberto do Brasil, um grupo de catadores decide enfrentar a decisão do Estado Brasileiro de fechar os lixões do país. Na tentativa de garantir o acesso de mais de mil e 800 pessoas ao seu local de trabalho e único meio de sustento, os catadores do Aurá fazem um dramático protesto de 24 horas. O documentário registra a luta desses catadores, protagonistas de um momento histórico que mudou a agenda da política nacional de resíduos sólidos no país. “(…)o filme é esclarecedor em suas denuncias a respeito da opressão do Estado e a forma como os poderosos lesa pátrias do país tratam os precarizados(…)” Mujica Salinas, produtor da Grito Filmes. “(…)O filme ‘Catadores de Sonhos” destacou-se pela mistura de uma narrativa observacional com belas imagens, além de um mídia ativismo contundente. (…)” Carlos Augusto Lima França, jornalista e integrante da Mídia Independente Coletiva.

Assista o documentário:

Entrevista feita pela internet pelo portal midiacoletiva.org com os diretores do documentário “Catadores de Sonhos”, Homero Flávio Fortunato e Ursula Vidal Fortunato.

Como surgiu a ideia de vocês acompanharem e filmarem os catadores do Aurá ?

A ideia surgiu a partir de uma parceria com a ONG No Olhar.
A ONG, que trabalha com projetos voltados para a questão da sustentabilidade, apoia a muitos anos a causa dos catadores do Aurá.

A luta dos catadores de sonhos do Aurá tem qual representatividade para a a conjuntura nacional da política de resíduos sólidos?

O filme é um retrato da realidade vivida por milhares de famílias que não encontraram uma porta de saída para as atividades desenvolvidas nos grandes lixões do país. O serviço ambiental prestado ao longo de muitos anos por esses catadores não tem o devido reconhecimento pela sociedade. Com os fechamentos dos lixões, a maioria desses trabalhadores acaba não sendo incluída nos projetos de gestão de resíduos sólidos implementados nas grandes cidades.

Cartaz do documentário "Catadores de Sonhos"

Cartaz do documentário “Catadores de Sonhos”

O filme tem uma pegada estética muita parecida com os filmes de Mídia Ativismo, estética essa que cada vez mais é uma realidade nas redes sociais e nos locais de exibição de cinema independente. O cinema deve ser um catalisador das lutas da população?

O cinema é uma vitrine importantíssima para difusão da denuncia de modelos sociais injustos que carecem de discussão e articulação para viver as transformações necessárias. É uma plataforma menos midiática, porém tem profundo impacto entre formadores de opinião.

Qual a atual situação dos Catadores de Aurá?

O lixão fechou em agosto de 2015, as famílias continuam lutando pelas indenizações, qualificação profissional e inclusão em programas sociais.

Catadores de Sonhos. Making off.

O documentário foi exibido no Rio de Janeiro em sentido de pré-estréia com muito sucesso na Mostra da Assembléia Popular da Cinelândia durante a semana da Soberania Audiovisual. Porém, independente das participações em festivas, vocês já disponibilizaram o doc. “Catadores de Sonhos” na internet. Essa é uma forma de cumprir o papel social do filme e ajudar na luta dos catadores?

Sim, o documentário “Catadores de Sonhos”é um importante instrumento de luta que pode e deve ser utilizado pelos catadores em suas articulações com o poder público, sociedade civil, empresas e ongs que militam na causa da gestão responsável e humanizada dos resíduos sólidos gerados por nossos hábitos de consumo.

O projeto se desdobrará em outas iniciativas?

Sim, o documentário serviu de pesquisa para um projeto de série televisiva de 5 episódios que se chama “Aurá, eu sou de lá”.

Existe a possibilidade de uma interação entre realizadores do Pará e realizadores do Rio de Janeiro? Iniciativas como a Mostra Pela Soberania Audiovisual podem ocorrer na Amazônia?

A interação entre realizadores do Pará e Rio de Janeiro de alguma forma já existe. E a possibilidade de uma realização da Semana Pela Soberania Audiovisual em Belém é totalmente real e viável. Os cineastas, técnicos e mídia ativistas reunidos em torno da Abre-te Cérebro Produções, podem e têm o maior interesse de trazer a “Semana” para Belém, fazendo um panorama das “Semanas” anteriores além de acrescentar produções que retratem as lutas e questões socioambientais que tanto afligem a Amazônia.

Exibição durante a Semana Pela Soberania no pilotis do Palácio Capanema no Rio.

Exibição durante a Semana Pela Soberania Audiovisual no pilotis do Palácio Capanema no Rio.

Histórico dos diretores(as)

Ursula Vidal é jornalista, cineasta e apresentadora de TV. Em 1999, dirige o Documentário “Marias e Josés de Nazaré”, sobre a maior festa religiosa do país: o Círio de Nazaré. O filme rodou diversos festivais e foi exibido em emissoras no Brasil e em Portugal. No mesmo ano, recebe um prêmio da Fundação Itaú Cultural com o projeto “A Caravana do Brega”. Em 2012, mergulha num tema estratégico para entender o novo modelo de governança no mundo: faz uma especialização em Sustentabilidade na Fundação Dom Cabral, em Minas Gerais.
Em março de 2014, começa a filmar o Documentário “Catadores de Sonhos”, sobre a vida dos catadores que trabalham no segundo maior lixão do Brasil: o Aterro do Aurá.

Homero Flávio é produtor e diretor audiovisual
. Em 2002 dirigiu o curta-metragem de ficção “O Xis”, vencedor do 1 Festival Amazonas de Filmes do Minuto. Em 2003 seu curta “A Primeira Ideia”, entrou para o Portal de Curtas Petrobras, após ficar em terceiro lugar no festival “Um Amazonas”. Em 2008 recebeu os prêmios de melhor filme (juri oficial e juri popular), melhor roteiro, melhor direção, e melhor ator no 32o Festival Guarnicê de Cinema. com o curta “Raiz dos Males” ; também premiado como melhor filme no 5o Festival de Belém do Cinema Brasileiro. “Raiz dos Males” também foi um dos selecionados no Festival Internacional del Nuevo Cinema Latino-americano em Cuba.

Ursula Vidal e Homero Flávio

Úrsula Vidal e Homero Flávio

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