América Latina

Há aqueles que lutam toda a vida: Liberdade para Ramiro

Mauricio Hernández Norambuena, o comandante Ramiro, é um guerrilheiro comunista que participou do grupo de guerrilha ‘Frente Patriótica Manuel Rodríguez‘ (FPMR) ligado ao Partido Comunista chileno, que lutou contra a ditadura militar. Período da história do Chile de um regime autoritário que, financiado e orquestrado pelos EUA e a burguesia chilena, durou 17 anos (1973-1990) e vitimou cerca de 40 mil pessoas (presas, torturadas, desaparecidas ou assassinadas). Diversas organizações populares foram colocadas na ilegalidade e os mais básicos direitos de liberdade de expressão foram perdidos. O regime de exceção tinha na figura do fascista Augusto Pinochet sua referência.

Norambuena participou de diversas ações armadas como: sabotagens, expropriações, justiçamentos. Dentre as ações mais conhecidas da FPMR que Mauricio participou, está a tentativa de justiçamento de Pinochet em 1986, na qual o ditador saiu vivo, cinco militares foram mortos e onze ficaram feridos.

O que chama atenção para a história do comandante Ramiro é que após o fim da ditadura, uma fração dos guerrilheiros da FPMR, Mauricio entre eles, não aderiu a resolução do Partido Comunista de abrir mão da luta armada e ter uma atuação submissa à legalidade. Assim, esses membros dissidentes continuaram a agir mesmo após a ditadura. Dentre as coisas que fizeram se encontram: o justiçamento de um senador que apoiou a ditadura chilena e o sequestro do filho de um empresário, dono de um jornal reacionário que apoiava Pinochet.

Preso e condenado a prisão perpétua, junto com outros três guerrilheiros presos da FPMR, Norambuena foi resgatado por sua organização de helicóptero, numa fuga cinematográfica cujos detalhes podem ser lidos aqui: o resgate

A FPMR decidiu investir mais em trabalho de base que em ações armadas e Norambuena foi convidado a conhecer a guerrilha na Colômbia em 1999. Em 2001, já no Brasil, Mauricio Norambuena e outros guerrilheiros sequestraram Washington Olivetto, um influente empresário. Em 2002, Mauricio e outras pessoas foram presas pelo sequestro e assim segue até hoje.

Sobre o sequestro de Olivetto, Mauricio disse:

“As regras para o cativeiro onde permaneceu Olivetto foram preparadas de acordo com critérios que tiveram como único objetivo a segurança local, portanto, não procurava produzir sofrimento ao sequestrado. É um facto que as condições de confinamento são difíceis para qualquer um, especialmente para aqueles com a vida sem problemas, devido à riqueza econômica que possuem e desfrutam. A acusação de tortura não tem mérito legal. Dias após sua libertação, em entrevista, Olivetto disse que foi torturado.

Jamais cometemos abuso ou humilhação contra um sequestrado, prova disso é que todos os reféns da FPMR foram sempre libertados sãos e salvos. Refiro-me aos três militares [Mario Haeberle, Germán Carreño e Carlos Obando], ao jornalista [Sebastian Bertolone] e ao empregador [Cristián Edwards] que a Frente sequestrou durante sua história, todos para fins políticos, inclusive os militares – que eram nossos inimigos diretos – foram tratados com respeito e dignidade.”

Comandante Ramiro vive sob Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) no Brasil. Esse é o regime com maior grau de isolamento e restrições com o mundo exterior – que se traduz em um sistema rigoroso de controle sobre o prisioneiro, com uma série de medidas arbitrárias que têm sido muitas vezes rotulado como métodos de tortura psicológica, que afeta a saúde física. A cela de 2 por 3 metros, tem um chuveiro, uma cama, um banheiro, uma pia e uma mesa. Não há luz natural. Alteram seus horários de refeição para que não tenha qualquer senso de tempo. Permanece 22 horas por dia dentro da cela. O resto do dia, pode acessar o pátio (uma hora de manhã e outra à tarde), sem a companhia de outros prisioneiros.

Além de Mauricio Hernández Norambuena, seguem presos pelo “sequestro” de Washington Olivetto:
• Martha Ligia Mejia está presa em Campinas (SP);
• Alfredo Augusto Canales Moreno em Itaí (SP). 

Para mais informações sobre o caso e a campanha: “Há aqueles que lutam toda a vida: Liberdade para Ramiro

Documentário que conta um pouco sua história:

Documentário que conta a fuga cinematográfica da prisão, a Operação Voo de Justiça:

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