Feminismo

10 reflexões femininas de por que o mundo está uma merda

Girl eye tears - MF Hussain

A gente estuda, pensa, escreve, conversa coisas maravilhosas sobre mudar o mundo. A gente faz atos, assembleias, protestos, debates, e a sensação é a de que nada muda realmente. Resta um desânimo de que não está adiantando, de que tudo continua a mesma merda. Mas por quê? O que acontece que estamos sempre numa corda bamba de esperança e resignação? Será que prestamos mais atenção às ideias do que às nossas próprias atitudes? Já que as ideias não nascem em árvores, alguma coisa a gente está fazendo errado.

Por isso, 10 reflexões sobre nossas idiossincrasias cotidianas:

1 – Gente que se diz contra o capitalismo, que odeia desigualdade social, enche a boca para falar de direitos e, na hora do vamos ver, acha que feminismo na verdade é um grande mimimi sem necessidade, a luta da população negra é exagerada demais, não precisa ser tão gritante, e as pessoas trans então, que horror, é pura violência.

2 – Gente que estuda Marx, entende de relações comerciais internacionais, dá palestra sobre justiça social e, na hora do vamos ver, adora aquela promoçãozinha da Zara e compra várias roupinhas super baratas costuradas por uma mulher em algum canto da Ásia que foi assassinada ao exigir salário mínimo e dignidade.

3 – Gente que bate no peito para culpar governos, fala mal da Dilma e do Temer, vê o Lula e o FHC como os maiores vilões da história brasileira e, na hora do vamos ver, não consegue conversar sobre estrutura do sistema, acha que é perda de tempo discorrer sobre a dominância do 1% mais rico porque isso é assim mesmo e nunca vai mudar.

4 – Gente que faz yoga três vezes por semana, só come orgânico, promove a meditação como o segredo para um mundo melhor e, na hora do vamos ver, sempre que lida com algum(a) trabalhador(a), cujo salário nem rela no custo da vida zen e muito menos tem tempo livre ou condições para isso, sai xingando de burro(a) sem educação.

5 – Gente que ama a mamãe, a vovó e a bisa, está sempre por perto agradando, paparicando, fazendo lindas declarações sobre a importância delas na vida de todos e, na hora do vamos ver, se diverte com piadinha que ridiculariza a mulher e morre de rir, porque afinal é só uma brincadeirinha à toa, ninguém está falando de mamãe.

6 – Gente que se coloca como feminista radical, advoga aguerridamente pela liberdade das mulheres, tem página no Facebook com milhares de curtidas e, na hora do vamos ver, cai em argumentos proibitivos e moralistas que só defendem a família patriarcal e não consegue enxergar o feminismo além da sua própria vagina.

7 – Gente que fala em horizontalidade, em decisões coletivas, na importância das assembleias e da luta popular e, na hora do vamos ver, tem o ego maior do que a barriga, vive disputando heroísmo, cria inimizades estapafúrdias e nada estratégicas e, no fundo, sonha com estar nas capas das mídias corporativas.

8 – Gente que chora ao saber da morte de um menino de 10 anos com um tiro na cabeça em alguma favela e, na hora do vamos ver, culpa só e apenas o policial que apertou o gatilho, acha mesmo que se trata de um psicopata isolado e não consegue enxergar que o estado é que é o assassino.

9 – Gente que se afirma super libertária, faz arte política e tudo, produz atos pra frentex sobre democracia e, na hora do vamos ver, não toca em certos assuntos para não incomodar os patrocinadores de seus projetinhos milionários e privilegia sua bolha de amiguinhos para garantir o controle do dinheiro e dos discursos.

10 – Gente que acredita que só as ruas podem mudar o mundo e, na hora do vamos ver, só quer ver é o circo pegar fogo, está pouco se fodendo para o que vem depois e acaba reproduzindo, sem tirar nem por, o sadismo da supremacia patriarcal que usa a destruição para manter seu poder intacto.

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